segunda-feira, 1 de abril de 2013

Retidão

Dentro do caminho por mim escolhido, a retidão se faz essencial em cada atitude e a retidão deve ser um valor assimilado pela prática pessoal persistente e constante, e não simplesmente difundido ou tagarelado via papagaio.
Para assimilar um valor ele deve fazer sentido pra mim. Entendendo o porquê da ação e do resultado e adequo à minha conduta ao objetivo final.
A retidão que falo aqui, e como aprendi lendo Pedro Kupfer, significa retidão de conduta, sermos absolutamente responsáveis por nossas palavras e ações. Diz Kupfer que o início desse caminho é exercer controle sobre a palavra emitida e isso extender-se-á a todas as atitudes. Mentir e falsear a verdade por obra do ego é a forma mais descarada de desviar-se do caminho. É como a flecha de um arco. Intenção, palavra, ação e objetivo final são as partes dessa flecha. Uma vez lançada a palavra não tem volta daí a importância em cuidar da língua.
Não existe atitude humana livre e consciente sem que haja uma intenção por base. A palavra como atitude, é portanto precedida de uma intenção que nasce na mente do Homem. A palavra deve ser clara e verdadeira, com a intenção de ajudar, de forma que o ouvinte a entenda e lhe seja útil para sua própria felicidade.
Língua solta e falta de educação, por mais verdadeiro que seja o conceito, não é eficaz para ajudar muito menos ensinar. O controle da língua é considerado por muitos o mais importante dentro da prática, pois silenciar sobre a verdade é fácil, difícil é dizê-la com "mel na língua". E, se meu objetivo é a verdade, a verdade última, todos meus atos e palavras devem ser pautados por ela. Se minto ou falto com a verdade, se permito a ñ verdade acontecer na minha vida ocorre uma cisão dentro de mim.
Sábias palavras ouvi de uma tia minha há anos: ”mentir é fácil, cuidar da mentira é que é difícil”. Nada mais verdadeiro que esse ensinamento. Como se a vida não fosse complicada o suficiente, ao mentir preciso lembrar-me do que falei e pra quem falei, preciso ter excelente memória, pois caso contrário entraria em contradição o tempo todo.
Mesmo as mentiras “sem conseqüências”, ou mentiras "brancas" geram tensão dentro de mim. E mais ainda, mentindo eu criaria, como ouvi certa vez de uma professora, duas pessoas dentro de uma só: o ator e o pensador. De tanto mentir, minha realidade seria dupla.
De tanto faltar com a verdade, criei uma divisão entre aquele que pensa que faz e o que faz realmente. O pensador deve ser o ator da ação, senão eu passo a acreditar na minha própria mentira e cada vez a bola de neve aumenta mais. Portanto, vendo que essa bola de neve surge lá atrás, naquele ponto onde eu faltei com a verdade, que isso se transformará num monstro e me dividirá em duas entidades antagônicas, eu desenvolvo o valor real pela verdade. Isso estrutura toda a minha vida e minha forma de viver e conviver com os outros. Então a verdade, bem mensurada para melhor ser compreendida, suave e com a intenção de ajudar, deve sempre sair de nossa boca. Para se ter uma vida feliz, é preciso cultivar tais valores, fazer coincidir nossas intenções, palavras e ações com aquilo que é certo.
É como ensina Pedro Kupfer:
"Aquilo que penso é aquilo que falo; aquilo que falo é aquilo que faço. Isso é retidão."

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